Mandioca

Manihot esculenta

Impressionado com a constância e a variedade de uso da mandioca pelos índios brasileiros, o botânico Johann Emmanual Pohl chamou-a de Manihot utilíssima. Essa diversificação e essa constância persistem até agora: como ingrediente ou como acompanhante, a mandioca entra na peixada amazonense, no tutu à mineira, no churrasco do gaúcho, no tacacá paraense, no quibebe goiano, na tapioca nordestina, no xinxim de galinha baiano e no virado à paulista, para citar só alguns pratos, além – é claro – do “prato nacional”, a feijoada, como acompanhante.

Tanta importância assim merece até festas em várias regiões na época do início da colheita. Na Ilha de Marajó, essa festa é conhecida como Farinhada; no Nordeste, como Desmancha, segundo Pinto de Aguiar, autor de “Mandioca – Pão do Brasil”. O forte da mandioca é seu elevado teor de carboidratos, atingindo até 82.91%.Tem ainda pequenas dosagens de vitamina C, cálcio, ferro e fósforo.

A sabedoria popular transformou-a em acompanhante de outros alimentos ricos em proteínas, como o feijão. Segundo o estudioso Luís da Câmara Cascudo, o popular “feijão com farinha” é onipresente na mesa do brasileiro desde o século 17, a farinha entrando como elemento energético, pois é “comida de volume, comida que enche, sacia, faz bucha, satisfaz”. Com a mandioca brava preparam-se a farinha seca, a tapioca, o carimã ou puba e o polvilho ou goma.

Todas essas preparações já eram conhecidas pelos indígenas que, percebendo a presença do veneno, trataram de eliminá-lo por pressão física ou pela ação do calor. Usavam para isso inúmeros apetrechos, como prensas, tipitis, cestos, paneiros, cochos de madeira, vasilhas e fornos de barro. A mandioca doce também permite inúmeras preparações. Cozida, é prato rotineiro no café da manhã em várias regiões, subsistindo com vantagens o pão branco. Batina no pilão, transforma-se em paçoca, misturada com carne seca, castanha-do-pará, amendoim, rapadura etc.

Cozida e depois frita, dá um ótimo tira-gosto ou participa do almoço ou do jantar. Pode ser servida ainda em bolinhos, doces, pudins, sopas, purês, suflês, pães, bolos, biscoitos, bolinhos de goma e mingaus. Todos esses preparados são feitos com a raiz. Apenas um prato, conhecida no Nordeste e na Amazônia, utiliza as folhas da mandioca. É a maniçoba, iguaria excelente segundo vários gourmets, que precisa ficar no fogo de 24 a 48 horas, até que as folhas fiquem bem macias e dissolvidas junto a outros ingredientes, como toucinhos, carnes e temperos. Nesse caso, a folha tem de ser colhida e aproveitada imediatamente.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: